rguntou, inclinando-se para a
frente. Como sempre, Robert não se incomodara em
estar presente na sessão do conselho, e assim cabia à
sua Mão falar por ele.
- Tantos quantos for possível obter, Senhor Mão.
- Contrate cinquenta novos homens - disse-lhe Ned.
- Lorde Baelish lhe arranjará o dinheiro.
- Ah, sim? - Mindinho retrucou.
- Sim. Se foi capaz de encontrar quarenta mil dragões
de ouro para uma bolsa de campeão, certamente
também o será para reunir alguns cobres a fim de
manter a paz do rei - Ned voltou a se virar para
Janos Slynt. - Também lhe darei vinte boas espadas
da guarda de minha própria Casa para servir com a
Patrulha até que a multidão parta.
- Muito agradecido, Senhor Mão - disse Slynt com
uma reverência. - Prometo-lhe que será dado bom
uso.
Quando o Comandante se retirou, Eddard virou-se
para o resto do conselho.
- Quanto mais depressa esta loucura terminar,
melhor me sentirei - como se a despesa e os
problemas não fossem aborrecimento bastante, todos
insistiam em dizer "o torneio da Mão", como se fosse
ele sua causa. E Robert parecia pensar honestamente
que devia se sentir honrado!
- O reino prospera com tais eventos, senhor - disse o
Grande Meistre Pycelle. - Trazem aos grandes a
oportunidade de alcançar a glória e aos pequenos um
intervalo em suas aflições.
- E põem moedas em muitos bolsos - acrescentou
Mindinho. - Todas as estalagens da cidade estão
cheias, e as rameiras caminham de pernas arqueadas,
tinindo seus bolsos a cada passo.
Lorde Renly soltou uma gargalhada.
- É uma sorte que meu irmão Stannis não esteja
entre nós. Lembram-se daquela ocasião em que
propôs que se proibissem os bordéis? O rei lhe
perguntou se gostaria talvez de proibir também que
se comesse, cagasse e respirasse, já que estava com a
mão na massa. A bem da verdade, por vezes
pergunto a mim mesmo como foi que Stannis
conseguiu arranjar aquela feia mulher que tem. Vai
para a cama de casado como quem marcha para o
campo de batalha, com uma expressão sombria nos
olhos e determinado a cumprir seu dever.
Ned não se juntou às gargalhadas,
- Também me interrogo a respeito de seu irmão
Stannis. Pergunto a mim mesmo quando é que ele
tenciona dar por finda sua visita à Pedra do Dragão
e recuperar seu lugar neste conselho.
- Sem dúvida assim que tenhamos escorraçado todas
estas prostitutas para o mar - Mindinho respondeu,
provocando mais gargalhadas.
- Já ouvi falar de prostitutas mais que o suficiente
para um dia só - disse Ned, levantando-se. - Até
amanhã.
Harwin guardava a porta quando Ned regressou à
Torre da Mão.
- Chame Jory aos meus aposentos e diga ao seu pai
para me selar o cavalo - disse-lhe Ned com
demasiada brusquidão.
- Será feita a sua vontade, senhor.
A Fortaleza Vermelha e o "torneio da Mão" estavam
desgastando-o até o osso, refletiu Ned enquanto
subia. Ansiava pelo conforto dos braços de Catelyn,
pelos sons de Robb e Jon cruzando espadas no pátio
de treinos, pelos dias frescos e noites frias do Norte.
Em seus aposentos, despiu as sedas que usava no
conselho e sentou-se um momento com o livro
enquanto esperava a chegada de Jory. As linhagens e
histórias das Grandes Casas dos Sete Reinos, com descrições
de muitos grandes senhores e nobres senhoras e de seus filhos,
pelo Grande Meistre Malleon. Pycelle falara a
verdade: era uma leitura tediosa. Mas Jon Arryn lhe
pedira, e Ned tinha certeza de que ele tinha seus
motivos. Ali havia algo, alguma verdade enterrada
naquelas quebradiças páginas amarelas, se ao menos
conseguisse vê-la. Mas, o quê? O volume tinha mais
de um século. Poucos homens de hoje eram nascidos
quando Malleon compilara suas poeirentas listas de
casamentos, nascimentos e mortes.
Voltou a abri-lo na seção sobre a Casa Lannister e
virou as páginas lentamente, atento, mesmo sem
esperança de que algo lhe saltasse à vista. Os
Lannister eram uma família antiga, seguindo sua
linhagem até Lann, o Esperto, um trapaceiro da Era
dos Heróis que era, sem dúvida, tão lendário como
Bran, o Construtor, embora fosse muito mais amado
por cantores e contadores de histórias. Nas canções,
Lann era o tipo que tinha arrancado os Casterly de
Rochedo Casterly sem nenhuma arma além da
esperteza, e que roubara ouro do sol para tornar
mais claros os cabelos encaracolados. Ned desejou
que o homem estivesse ali agora, para arrancar a
verdade daquele maldito livro.
Uma sonora pancada na porta anunciou Jory Cassei.
Ned fechou o livro de Malleon e lhe disse para
entrar.
- Prometi à Patrulha da Cidade vinte homens da
minha guarda até o fim do torneio - ele isse. - Confio
em você para fazer a escolha. Dê o comando a Alyn e
assegure-se de que os homens são necessários para
dar fim às lutas, e não para iniciá-las - erguendo-se,
Ned abriu uma arca de cedro e tirou de lá uma leve
túnica interior de linho. - Encontrou o cavalariço?
- O guarda, senhor - disse Jory. - Ele jura que nunca
mais tocará num cavalo.
- Que tinha ele a dizer?
- Diz que conhecia bem Lorde Arryn. Que eram bons
amigos - Jory resfolegou. - Diz que a Mão dava
sempre aos